Ai, desse aperto no peito...
Eu que me vire com a dor
Inocente, me entrego num beijo
Tua boca retruca:
"Tá bom, eu deixo!"
Usa teus lábios como um favor
"Cê" sabe, moço
eu não me engano
Só mais essa vez me faço enganada
Aceito o sorriso
como se fosse meu
Sabendo que de mim você não quer nada
De resto, o que resta
É o que inventei de nós
A sós, finjo comigo:
"Tá bom
Tá bem
Eu nem ligo,
tenho outros também..."
E em um "ninguém"
Desconto o castigo.
[E sabe? Acho graça
De na mesa farta
Eu me compor de migalhas,
querer ser o mendigo.]
Tudo bem,
Não-amor,
Tudo bem...
Você que se cuide comigo
-Ou sem mim-
O dueto é bonito
Mas eu não preciso.
-Ou talvez sim-
E pra criar monólogo
De amor doído
Eu meu garanto:
Meu coração é perito.
sábado, maio 31, 2014
sexta-feira, maio 09, 2014
Revela, Releva.
Ah, meus dias de chuva. Dias de coração partido e inquietude.
Não há nada evidente, aparente. Nada que já não estivesse ali antes.
O corpo todo dói e não suporta a alma que abriga,
que briga. A mesma velha culpa sem ter a quem culpar.
Perdoe mundo, pela inveja preconceituosa de quem encontrou o amor, encontrou paz de espírito e conforto em ser quem é. Perdão pela revolta que rasga o peito até tremer os dedos, sempre que encontro respostas vazias, nenhum argumento...E ainda sim, me calo. Curvar-me à ignorância alheia me dói como um incêndio no estômago e não me ergo... Sempre exausta, sabe-se lá do quê.
Perdoa a falta de energia para dedicar ao amor, não vejo caminhos, não vejo cores e nem desfechos bonitos em ninguém. Se há ou não boa intenção, não me importa. É tudo muito o mesmo pra quem já nasceu no tédio. Ainda prefiro os silêncios.
Perdoa o excesso de cautela com desconhecidos e o excesso de desapego aos que convivo, é só o fascínio pelo novo, não dura. Perdoa o enjoo de quem me jura amor. A loucura de querer a aprovação de muitos, mas não amor de alguém. Não há traumas, corações partidos, nem juras desfeitas... É só desencanto. Involuntária, incoerente. É como ler o mesmo livro linear, monocórdio e longo a cada vez que penso em me envolver. Não há ao que recorrer.
E que diabo é isso? Será que a gente já nasce assim meio torto?
Ah, Deus, como eu queria...Como queria ser a pessoa que foge da chuva e enlouquece com a possibilidade da doença, com o incômodo da água no corpo, do vento gelado, mas se alegra ao sentir o toque da pessoa amada.
Que diabo isso em mim de contemplar a chuva e correr quilômetros para me encharcar, para sentir o vento que me toca sem zelo, só para me sentir viva...
Eu só tentaria amar alguém com gosto de chuva.
segunda-feira, abril 07, 2014
Flores pra ninguém
Ai de mim, que decidi criar margaridas
pra plantar em cada buraco da alma.
Quis também cultivar girassóis
e cicatrizar toda ilusão doce
que o desamor deixou destruído.
E apesar desse peito doído
E do meu coração quase infértil,
consegui meu jardim colorido.
Eu tenho florescido.
Queria enfeitar o amor de alguém por aí,
Mas procuro,
Procuro...
E ninguém me dá borboletas na barriga.
Tenho uma alma florida,
que só decora a própria vida...
Até tudo apodrecer.
terça-feira, março 11, 2014
Mol(dura)
Queria me retratar
Desculpar-me com meus versos
Por ocupá-los com tua ausência,
Por ocultá-lo nas reticências...
Por culpar o tempo
Que não ocupei com mais ninguém
Perdi bons domingos,
Fui além
Me desculpe também,
Outros dias bonitos
que não passei com alguém
Que os passaria
Passar ria
Paz seria
Comigo
Sendo amor,
Sendo amigo
Mas sendo,
Inteiro
Vivo.
Sinto muito também,
Corpo dolorido
Eu sei, eu sei
Eu deveria ter dormido
Agora, tarde demais
Tá tarde demais
Amanhã vai ser corrido.
Queria me retratar
Que o retrato que o espelho dá
Continua tratando
De solidão.
Desculpar-me com meus versos
Por ocupá-los com tua ausência,
Por ocultá-lo nas reticências...
Por culpar o tempo
Que não ocupei com mais ninguém
Perdi bons domingos,
Fui além
Me desculpe também,
Outros dias bonitos
que não passei com alguém
Que os passaria
Passar ria
Paz seria
Comigo
Sendo amor,
Sendo amigo
Mas sendo,
Inteiro
Vivo.
Sinto muito também,
Corpo dolorido
Eu sei, eu sei
Eu deveria ter dormido
Agora, tarde demais
Tá tarde demais
Amanhã vai ser corrido.
Queria me retratar
Que o retrato que o espelho dá
Continua tratando
De solidão.
quinta-feira, fevereiro 06, 2014
Sobre o fim que não foi nosso
Ela estava lá. Olhava fixamente para um ponto que deixava seus olhos baixos, quase cerrados. Sentada no banco, com pés afastados, os joelhos encostados e os cotovelos sobre eles. O cabelo estava solto e ventava lentamente pro lado oposto ao de sua franja...só a franja se mexia. Era como se até o vento tentasse fazê-la reagir, mas o esforço seguia inútil.
Por ali, ele a observava. Queria ter um pensamento com o sorriso dela sob o sol se pondo, numa lembrança amarelada, como na fotografia dos filmes franceses que parecem feitos pra ela. Esforçou-se, mas não construiu nada muito nítido, estava preocupado com toda mágoa que ela carregava no olhar. Torcia pelo sucesso do vento, mas nada acontecia. Decidiu, depois de muito custo, sentar-se também.
- Sabe o qual é a escolha mais difícil do mundo? Como conhecer alguém do zero. É como uma frase do Fernando Sabino que me perseguiu por toda vida: "O diabo dessa vida é que de cem caminhos temos que escolher apenas um e viver com a nostalgia dos outros noventa e nove." Posso aqui falar de uma preferência minha, do calor do dia de hoje, de problemas políticos, Deus, amor, pessoas, violência... São infinitas possibilidades de assuntos diferentes que te provocarão reações diferentes, mas tenho que escolher um. O que fizer aqui, comandará o futuro de nós dois. É muita responsabilidade, não acha?
- É. É como se fôssemos um papel em branco, e cada pessoa que conhecêssemos fizesse uma marca, sempre acrescentando algo, mesmo que tédio. Não te ocorre que quanto mais pessoas conhecemos, mais e mais marcas, e um dia ficará difícil distinguir todas elas? Ou pior, chegará um dia em que não haverá mais espaços em branco? Você acha possível alguém deixar tantas marcas em você e não sobrar espaço para mais ninguém? Com o tempo, vamos ficando mais e mais desgastados.
- Acho possível sim.
- E você acha possível a pessoa marcada não conseguir fazer as mesmas marcas em quem a marcou?
- Humm..Deixa eu pensar...
- É isso. Fui muito marcada e não soube fazer marcas. Dos cem caminhos que tive pra escolher, devo ter escolhido um bem imbecil. Então, não se preocupe tanto se escolher errado agora, eu sou a pessoa mais empática que você pode encontrar por aqui.
- Mas você tem certeza de que não deixou marcas?
- Ele me deixou ir embora.
- Talvez ao te olhar pela primeira vez, para ele foi como olhar pra um espelho, sem poder controlar o reflexo. Tudo o que você fazia era tão certo pra ele, tão único, intenso, colorido, que se desesperou. Teve medo de seguir com aquilo e não conseguir mais surpreender você, acompanhar você. Então ele procurava indícios de um possível abandono seu em qualquer coisa: Um abraço mais frouxo, um bom dia menos expressivo, um beijo apressado. Tanto amor deve ter convencido sua cabeça, ficou com medo de sufocá-la... Vai ver gostar de alguém era novo pra ele. Temeu até perder sua maneira de ver o mundo por adorar ver tudo através dos seus olhos. O que aconteceu, foi que sua marca foi tão forte, que acabou rasgando o papel.
- Mas eu nunca quis machucar ninguém.
- Não machucou, ensinou... Aprender às vezes dói. Dói deixar de ser inteiro para se dividir em dois.
Finalmente ela o encara nos olhos, ele treme. Ela parece conhecer sua alma. Respiram.
- Eu vim te buscar. Volta pra casa?
Por ali, ele a observava. Queria ter um pensamento com o sorriso dela sob o sol se pondo, numa lembrança amarelada, como na fotografia dos filmes franceses que parecem feitos pra ela. Esforçou-se, mas não construiu nada muito nítido, estava preocupado com toda mágoa que ela carregava no olhar. Torcia pelo sucesso do vento, mas nada acontecia. Decidiu, depois de muito custo, sentar-se também.
- Sabe o qual é a escolha mais difícil do mundo? Como conhecer alguém do zero. É como uma frase do Fernando Sabino que me perseguiu por toda vida: "O diabo dessa vida é que de cem caminhos temos que escolher apenas um e viver com a nostalgia dos outros noventa e nove." Posso aqui falar de uma preferência minha, do calor do dia de hoje, de problemas políticos, Deus, amor, pessoas, violência... São infinitas possibilidades de assuntos diferentes que te provocarão reações diferentes, mas tenho que escolher um. O que fizer aqui, comandará o futuro de nós dois. É muita responsabilidade, não acha?
- É. É como se fôssemos um papel em branco, e cada pessoa que conhecêssemos fizesse uma marca, sempre acrescentando algo, mesmo que tédio. Não te ocorre que quanto mais pessoas conhecemos, mais e mais marcas, e um dia ficará difícil distinguir todas elas? Ou pior, chegará um dia em que não haverá mais espaços em branco? Você acha possível alguém deixar tantas marcas em você e não sobrar espaço para mais ninguém? Com o tempo, vamos ficando mais e mais desgastados.
- Acho possível sim.
- E você acha possível a pessoa marcada não conseguir fazer as mesmas marcas em quem a marcou?
- Humm..Deixa eu pensar...
- É isso. Fui muito marcada e não soube fazer marcas. Dos cem caminhos que tive pra escolher, devo ter escolhido um bem imbecil. Então, não se preocupe tanto se escolher errado agora, eu sou a pessoa mais empática que você pode encontrar por aqui.
- Mas você tem certeza de que não deixou marcas?
- Ele me deixou ir embora.
- Talvez ao te olhar pela primeira vez, para ele foi como olhar pra um espelho, sem poder controlar o reflexo. Tudo o que você fazia era tão certo pra ele, tão único, intenso, colorido, que se desesperou. Teve medo de seguir com aquilo e não conseguir mais surpreender você, acompanhar você. Então ele procurava indícios de um possível abandono seu em qualquer coisa: Um abraço mais frouxo, um bom dia menos expressivo, um beijo apressado. Tanto amor deve ter convencido sua cabeça, ficou com medo de sufocá-la... Vai ver gostar de alguém era novo pra ele. Temeu até perder sua maneira de ver o mundo por adorar ver tudo através dos seus olhos. O que aconteceu, foi que sua marca foi tão forte, que acabou rasgando o papel.
- Mas eu nunca quis machucar ninguém.
- Não machucou, ensinou... Aprender às vezes dói. Dói deixar de ser inteiro para se dividir em dois.
Finalmente ela o encara nos olhos, ele treme. Ela parece conhecer sua alma. Respiram.
- Eu vim te buscar. Volta pra casa?
quarta-feira, fevereiro 05, 2014
Sós só seus
Seu instante insiste...Triste.
Você nem me procurou,não quis saber do meu dia nem de como me roubou a alegria desde que te reencontrei. Não quer saber do fim da minha calma, que já não era lá essas coisas, e que parece ter se mudado pras suas noites de sono inabaláveis, sem mim.
Seu instante insiste...Minha cabeça não desiste.
Queria poder enterrar as toda as imagens, todo clichê que já rabisquei pra você. De que adianta escrever sobre o que já não faz mais parte de mim? Não procuro saber de você, já sei das suas verdades. Só repasso teus passos "bêbados" pelo escuro do quarto, todo desajeitado, pra buscar meu copo d'água. O passado só é o melhor lugar pra quem tem pena de morte, e pelo visto só minha memória não deu essa sorte. Essa vontade não morre... Logo agora, às 3 da manhã.
Obrigada por mais esse incômodo tão cômodo, porque ainda me faz bem encontrar os seus olhos quando tento fechar os meus. Ainda escuto sua voz carregada de ar e de risos cantarolando mal por aí. Eu sei que sou só minha, mas meus instantes mais sós são só seus. Algum tipo de desvio de caráter masoquista... É, pensando bem, ainda bem que você se livrou de mim. Eu também me livraria se tivesse a chance. Sendo muito honesta, eu merecia...Depois de ter abandonado alguns por aí sem o menor critério ou arrependimento, eu precisava provar como era. Aposto que agradeceriam por sua vingança, parabéns.
Ah esse seu instante...Só a madrugada não parece o bastante.
Por falar em bastar, eu tenho me odiado tanto...Não só por não te esquecer, apesar de todos os motivos mais que razoáveis para isso, mas por querer descontar no mundo o buraco que me foi aberto. Acho que é assim que tenho reagido. Nunca há ninguém engraçado o suficiente, cruel e irônico o bastante e nem tão carinhoso fora de hora como você. É, porque eu nunca sabia o que esperar dos seus carinhos, eles vinham tão repentinos e tão meus, que apesar das surpresas constantes, eu não me sentia desconfortável...
E, sabe, tenho estado com medo. Conhecer alguém é um processo muito desgastante, pareço não ter energia pra isso mais, (apesar, claro, da minha belíssima juventude vista aos olhos de terceiros), entende? Tornar-me íntima de alguém tem sido uma guerra de tantas batalhas perdidas, machucando alguns inocentes... Eu não quero dividir minha rotina, não quero alguém achando que me conhece ou supondo que eu retribuo algum sentimento. Todos que se aproximam um pouco mais de mim se tornam prepotentes, aos meus olhos, porque acham que podem tomar seu lugar. Pobres iludidos, eu sou uma bomba relógio. (Mais iludidos que eu?)
Mais saiba, que acada instante seu, dou mais voz à minha razão e fico mais intolerante.
Cuidado, sabemos que eu enjoo de tudo...
E sua hora me parece cada vez menos distante.
Você nem me procurou,não quis saber do meu dia nem de como me roubou a alegria desde que te reencontrei. Não quer saber do fim da minha calma, que já não era lá essas coisas, e que parece ter se mudado pras suas noites de sono inabaláveis, sem mim.
Seu instante insiste...Minha cabeça não desiste.
Queria poder enterrar as toda as imagens, todo clichê que já rabisquei pra você. De que adianta escrever sobre o que já não faz mais parte de mim? Não procuro saber de você, já sei das suas verdades. Só repasso teus passos "bêbados" pelo escuro do quarto, todo desajeitado, pra buscar meu copo d'água. O passado só é o melhor lugar pra quem tem pena de morte, e pelo visto só minha memória não deu essa sorte. Essa vontade não morre... Logo agora, às 3 da manhã.
Obrigada por mais esse incômodo tão cômodo, porque ainda me faz bem encontrar os seus olhos quando tento fechar os meus. Ainda escuto sua voz carregada de ar e de risos cantarolando mal por aí. Eu sei que sou só minha, mas meus instantes mais sós são só seus. Algum tipo de desvio de caráter masoquista... É, pensando bem, ainda bem que você se livrou de mim. Eu também me livraria se tivesse a chance. Sendo muito honesta, eu merecia...Depois de ter abandonado alguns por aí sem o menor critério ou arrependimento, eu precisava provar como era. Aposto que agradeceriam por sua vingança, parabéns.
Ah esse seu instante...Só a madrugada não parece o bastante.
Por falar em bastar, eu tenho me odiado tanto...Não só por não te esquecer, apesar de todos os motivos mais que razoáveis para isso, mas por querer descontar no mundo o buraco que me foi aberto. Acho que é assim que tenho reagido. Nunca há ninguém engraçado o suficiente, cruel e irônico o bastante e nem tão carinhoso fora de hora como você. É, porque eu nunca sabia o que esperar dos seus carinhos, eles vinham tão repentinos e tão meus, que apesar das surpresas constantes, eu não me sentia desconfortável...
E, sabe, tenho estado com medo. Conhecer alguém é um processo muito desgastante, pareço não ter energia pra isso mais, (apesar, claro, da minha belíssima juventude vista aos olhos de terceiros), entende? Tornar-me íntima de alguém tem sido uma guerra de tantas batalhas perdidas, machucando alguns inocentes... Eu não quero dividir minha rotina, não quero alguém achando que me conhece ou supondo que eu retribuo algum sentimento. Todos que se aproximam um pouco mais de mim se tornam prepotentes, aos meus olhos, porque acham que podem tomar seu lugar. Pobres iludidos, eu sou uma bomba relógio. (Mais iludidos que eu?)
Mais saiba, que acada instante seu, dou mais voz à minha razão e fico mais intolerante.
Cuidado, sabemos que eu enjoo de tudo...
E sua hora me parece cada vez menos distante.
segunda-feira, dezembro 23, 2013
Além do bom dia
"(...)
- Eu não sou romântica. Sempre fui seca.
- Não. Você escreve poesia... Você é romântica.
- Na vida sou de pouca palavra de amor. Sou adepta a silêncios.
(Pausa)
- Então não vai me falar nada?
- Mas a questão é: Se eu te beijo, preciso de palavras? Se eu te toco na pele, preciso te tocar com rimas? Se eu amo você, preciso falar de amor?
- Já tá escrevendo de novo ou ta me dizendo isso?
- Agora escrevo, não posso fazer. Agora sou só teoria, na prática funciono diferente.
(Pausa)
- Não sei como vai ser.
- Te prometo falta de tédio. Pode ser?
- Tá. "
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